quarta-feira, maio 28, 2008

CORREIO DA BAHIA, domingo, 18 de maio de 2008

A Finos Trapos e Roberto de Abreu uma matéria escrita por Marcos Uzel. A Finos ficou honrada com a matéria. 5 anos de árduo trabalho e alguns resultados.
Segue matéria:
CORRETO DA BAHIA, domingo, 18 de maio de 2008
Salvador, Bahia
AS CONQUISTAS DO CAÇULA Por Marcos Uzel
Um menino do interior que parece ter aprendido a lidar com a rapidez dos acontecimentos em sua vida. Aos 22 anos, Roberto de Abreu acumula conquistas admiráveis para um artista de sua idade. "Sempre fui precoce", sublinha o encenador nascido em Vitória da Conquista e que recentemente ganhou o Prêmio Braskem de Teatro de melhor diretor da cena baiana em 2007. É o mais jovem entre os agraciados na mesma categoria em 15 anos de existência do troféu. Ainda não tem a tarimba de outros colegas de ofício que ganharam a estatueta, como Ewald Hackler, Marcio Meirelles, Fernando Guerreiro e José Possi Neto, mas pode se orgulhar de ser um dos nomes mais talentosos de sua geração.
Roberto ingressou no curso de mestrado, tem se dedicado à pesquisa e já é professor substituto da Escola de Teatro da Ufba. Fala de tudo isso com frescor e jovialidade, evitando dar peso à fartura de compromissos. Defensor do teatro como a arte do encontro, fundou há cinco anos a companhia Finos Trapos, com a qual encenou espetáculos como o bem sucedido “Auto da gamela”, cujo êxito fez a estatueta do Braskem cair em suas mãos. O prêmio contribuiu para mostrar como ele caminha bem na opção pelo teatro popular. Uma escolha que ele não abre mão, como deixou claro diante ao receber o troféu no palco do TCA. "Não me peçam para montar Ibsen! Não agora", afirmou para o público, numa citação ao famoso dramaturgo norueguês.
Roberto de Abreu é uma figura central no convívio coletivo com a Finos Trapos, formada por atores de Vitória da Conquista atuantes em Salvador, mas prefere a descentralização no trabalho. "Funcionamos como uma cooperativa. Os assuntos administrativos são decididos em consenso", enfatiza o diretor artístico do grupo, feliz de poder dar reconhecimento à simplicidade da Bahia interiorana, com seus benzedeiros, rezadeiras, presépios e reizados. Sem medo de ' ser visto como prisioneiro de uma temática, ele reafirma os laços com suas referências socioculturais e lembra: "Sha kespeare, antes de ser universal, era inglês".
Identidade - No discurso que fez na festa do Braskem, o diretor enfatizou, com propriedade, que o teatro baiano não se limita a Salvador. "Está nas ruas, feiras, praças e tablados de outras tantas cidades", desabafou Roberto, que deve discutir a questão da identidade no próximo espetáculo da Finos Trapos, ainda sem previsão de estréia. Além do Auto da gamela (no qual uma divertida trupe de saltimbancos do Nordeste encena um número dramático sobre a história de um cristozinho sertanejo), o grupo tem no repertório peças como Sagrada folia (impregnada de signos de um Nordeste festivo) e Sagrada partida (inspirada na aridez de um Nordeste miserável).
A dedicação de Roberto de Abreu é admirada por veteranos da classe teatral baiana lami Rebouças, por exemplo, elogia o empenho e a capacidade de aglutinação do encenador. "Tenho ele e todo esse pessoal de Conquista na mais alta conta. A formação de grupos fortalece o artista, converge os interesses, junta os esforços. É um grande mérito de Roberto. Ele merece todas as oportunidades que vem tendo", valoriza a atriz. O diretor Luiz Marfuz aproveita para destacar o comprometimento do seu colega de trabalho com o teatro na educação: "Ele tem feito pesquisas em escolas públicas, propondo experiências teatrais para os estudantes com um elevado patamar de exigência. É uma pessoa muito séria".
Ao se reportar às imagens que têm lhe ajudado a compor as referências de sua produção teatral, Roberto de Abreu demonstra uma evidente doçura e afetividade. Sobretudo, na maneira como fala de uma Bahia catingueira, distante do litoral. Quando tinha 4 anos de idade, ele ganhou de presente da mãe uma roupa de palhaço. O rosto maquiado e a peruca de cabelos coloridos nunca mais saíram de sua memória. Eram o embrião de um novo mundo. "Naquele dia fui arrebatado. A sensação é de que até hoje, eu não tenha tirado aquela indumentária do corpo", contou à platéia do TCA o adulto sério, que fez as malas para tentar o teatro na capital mas não deixou de levar essa criança dentro da bagagem.
Roberto de Abreu, 22 anos, é o mais jovem diretor a receber o Prêmio Braskem de Teatro, faz mestrado e já é professor da Escola de Teatro da Ufba

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